quarta-feira, 4 de abril de 2007

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crescem magnólias na bruma

é preciso acreditar no vento
e deixar que ele seja voz tremida
a equilibrar-se nos ramos que rompem
do peito

ergue-te agora em uníssono nevoeiro
sobre os telhados
e entardece um pouco mais

deixa que as mãos fiquem frias
e os pés descalços sem tocarem a relva
molhada

talvez uma ou outra ave te venha falar ao ouvido
talvez venha beber da loucura dessas paisagens
que desalinhas com o olhar

insisto: o nevoeiro faz todo o sentido

e se chamar por ti
entra
sem pressa de fuga

haverá sempre outra mão
algures
à espera do contorno da tua
e de tempo para desenlaçar sóis por entre
os fios do amanhecer

em dias de chuva também sou capaz de pensar
que do que se toca
tão pouco
ou nada
é já capaz de nos
espantar


Ana Caeiro (amiga intemporal)


Não resisti, depois de ler este texto e uma vez que me foi dedicado, quis partilhá-lo com o resto do mundo...

3 comentários:

Mary disse...

ai as magnólias!

MoRdu-de-ChOcoLaT disse...

Texto lindíssimo!!!
Parabéns Ana Caeiro!!!

Nuno F. disse...

Bien que je te trouve...