crescem magnólias na bruma
é preciso acreditar no vento
e deixar que ele seja voz tremida
a equilibrar-se nos ramos que rompem
do peito
ergue-te agora em uníssono nevoeiro
sobre os telhados
e entardece um pouco mais
deixa que as mãos fiquem frias
e os pés descalços sem tocarem a relva
molhada
talvez uma ou outra ave te venha falar ao ouvido
talvez venha beber da loucura dessas paisagens
que desalinhas com o olhar
insisto: o nevoeiro faz todo o sentido
e se chamar por ti
entra
sem pressa de fuga
haverá sempre outra mão
algures
à espera do contorno da tua
e de tempo para desenlaçar sóis por entre
os fios do amanhecer
em dias de chuva também sou capaz de pensar
que do que se toca
tão pouco
ou nada
é já capaz de nos
espantar
Não resisti, depois de ler este texto e uma vez que me foi dedicado, quis partilhá-lo com o resto do mundo...


3 comentários:
ai as magnólias!
Texto lindíssimo!!!
Parabéns Ana Caeiro!!!
Bien que je te trouve...
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