Caros Amigos, venho partilhar convosco a minha opinião relativamente a um assunto sobre o qual muito se tem falado nos últimos tempos.
A despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
Sou 100% a favor. E digo mais, o meu lema é - Direito à vida sim, mas com um mínimo de dignidade. Não nos podemos esquecer de tudo o que o surgimento de um filho implica, há muita coisa em jogo e nada pode ser considerado de menor importância.
Deixo-vos aqui um texto de uma grande amiga e com o qual concordo inteiramente.
Eu não escreveria melhor certamente..... “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez (sim), se realizada por opção da mulher (sim) nas primeiras 10 semanas (sim), em estabelecimento de saúde legalmente autorizado (sim)?
Estamos em 2007, 23 anos após a aprovação da primeira lei que despenalizou a IVG.
Em Portugal morrem por ano dezenas de mulheres vítimas de abortos sem condições e em clínicas que não garantem a sua segurança; outras tantas entram nas urgências dos hospitais públicos com complicações decorrentes de IVG feitas em vãos de escada. Enquanto isto, as que têm dinheiro visitam Espanha, onde se estima que, numa única clínica privada em Badajoz, passem mais de 4 mil portuguesas por ano. Agora, a luz ao fundo do túnel torna mais forte a possibilidade de mudança de cenário, quando se aproxima a consulta pública.
Na minha humilde opinião, o que está verdadeiramente em causa é a despenalização de algo que nenhuma mulher tem orgulho em fazer e, ainda por cima, existe uma lei que a condena… Argumentam os que gritam Não: «Existe a lei, mas, na maioria dos casos, não é aplicada.»
E isso lá é argumento? Isso é hipocrisia da mais cristalina e acaba também por ser um insulto a qualquer inteligente com meia dúzia de neurónios. As razões podem ser mais que muitas, mas a opção é, sem sombra de dúvida, uma das mais difíceis que uma mulher pode ter de tomar. E se tiver de fazer, os números mostram que não é a ilegalidade do acto que a impede.
Além de que estamos num país onde a democracia impera há tantos anos quantos eu tenho de vida e as opções são livres. Cada mulher deve poder decidir sobre o que quer ou não, se está ou não preparada para ter um filho, se tem ou não capacidade económica e se a estabilidade emocional lhe permite ou não que embarque numa aventura sem retorno.
A opção de ter um filho representa preocupação primária, amor visceral, protecção, abdicação de vontades e projectos e um vínculo para toda a vida cuja existência não se compadece com rupturas de namorados, divórcios, desamores, desempregos ou desequilíbrios emocionais. Um filho não dispõe de tempo de devolução, não traz livro de reclamações nem sequer de instruções, não se trata de um boneco ou peça de roupa que comprámos e esquecemos na prateleira ou no armário porque passou de moda…
Não se trata de violentar o direito à vida, antes pelo contrário... Não se trata de liberalizar a IVG por tempo indeterminado. Não se trata de um novo método contraceptivo. Trata-se de valorizar o direito a uma maternidade consciente e de uma alteração ao Código Penal. Simples, não?
Notas:
O NÃO representa que as mulheres devem ser objecto de perseguição criminal, levadas à presença de um juiz e condenadas com uma pena de prisão até três anos.
O SIM representa o guardar do machado da moralidade e o acabar da humilhação.”
Cátia Viegas
Não poderia deixar de falar deste assunto. É algo que mexe muito com as mulheres, eu pelo menos não consigo ficar alheia a tudo isto e podem ter a certeza que o meu voto vai para o SIM!